Este é um assunto de muitas camadas e é muito difícil falar de Skincare Infantil em apenas um post… mas vamos tentar!!!
E quando eu falo de muitas camadas, eu falo de um processo de adultização precoce das crianças e também falo das formulações usadas nos produtos que podem gerar danos para as crianças…
Por isso, antes de qualquer coisa quero dizer que este post apresenta alguns pontos de vistas a serem pensados pelos lojistas do mercado infantil!!!!

Skincare Infantil
Nos últimos anos, observa-se um movimento crescente em que crianças — nem sempre pré-adolescentes — estão experimentando produtos de beleza, maquiagem e rotinas de cuidado com a pele.
Esse fenômeno traz implicações importantes para lojistas do mercado infantil (e para quem atende esse público), seja em termos de oferta de produtos, seja em termos de orientação aos pais.


Alguns fatores que impulsionam essa tendência:
- A geração Geração Alpha (crianças nascidas a partir de 2010) já demonstra familiaridade com o mundo da beleza e produtos de cuidado da pele, seja pela influencia das mídias sociais ou pelo uso constante das mães.
- Redes sociais, influenciadores digitais e cultura de “mini-adulta” fazem com que as crianças sejam expostas mais cedo a rotinas de beleza (mesmo que não sejam ainda necessárias do ponto de vista dermatológico). Não estamos falando apenas do produto, mas sim de uma rotina diária de cuidados!!!
- O mercado reconhece , e explora, essa demanda: pesquisas apontam que muitos pais — seja por convivência com os filhos ou por compra direta — adquirem “produtos de beleza para crianças”, é um comportamento que envolve uma certa brincadeira, mas que pode trazer riscos para estas crianças.
Preciso reforçar que todas as informações postadas aqui não tem a intenção de questionar o jeito que cada família conduz a sua criação… este post é escrito por uma profissional que estuda moda, comportamento e tendências do mercado infantil.


Vender ou não vender, eis a questão…
Para lojistas de moda infantil, isso representa tanto uma oportunidade de ampliar oferta de produtos para skincare infantil, maquiagem leve e produtos de brincadeira, quanto uma responsabilidade, seja em orientar o cliente (pais/responsáveis) sobre o que é adequado para crianças, seja em escolher fornecedores/linhas que sejam mais seguros.
Abaixo, alguns dados que mostram a extensão da questão, útil para embasar conversas com fornecedores, equipes de vendas e clientes:
- Uma pesquisa dos EUA com crianças de até 12 anos mostrou que cerca de 70% usaram produtos de maquiagem/corpo (CMBPs — children’s makeup & body products) em algum momento da vida.
- Dentre essas, cerca de 54% usavam tais produtos ao menos mensalmente, e 12% diariamente.
- Na amostra de um estudo no Brasil (até 14 anos), a média de idade para início do uso de maquiagem foi 4 anos (!!!!!!!!).
- Em outro levantamento, 75% dos pais britânicos relatavam ter comprado “produtos de beleza para crianças” no último ano; entre itens mais comprados estavam bálsamos labiais, hidratantes, limpadores e maquiagem leve.
- Identificou-se também que muitos desses produtos destinados a crianças podem conter substâncias potencialmente nocivas — e que crianças são mais vulneráveis à exposição.


Cuidados importantes e que precisam ser considerados
- Crianças têm pele mais fina, maior área de superfície proporcional ao corpo, metabolismo e defesas ainda em desenvolvimento, o que pode tornar mais graves os efeitos de irritação, alergias ou contaminação por ingredientes nocivos.
- Produtos de maquiagem “infantil” ou rotinas de skincare precoce podem levar à exposição de forma prolongada ou repetida, por exemplo, de base, corretivo, cremes com ácidos,… em idades em que não há indicação médica ou dermatológica para o uso destas fórmulas.
- Há regulamentações em alguns mercados para “maquiagem para crianças” ou produtos que se aproximam de brinquedos (ex: maquiagem de brincadeira), o que exige atenção ao informar os clientes, e se possível, uma real comprovação de veracidade por parte dos lojistas.
- Diferenciar brincadeira (maquiagem leve, gloss, sombra que não sejam formulados para tratamento) e rotina de beleza séria (seruns, ácidos, antienvelhecimento),… algumas crianças não querem nem sair de casa sem cumprir uma rotina de cuidados e de maquiagem.
- Verificar se o produto é formulado para a faixa etária ou tem aprovação/aviso de uso infantil.
- Orientar pais/responsáveis, para idade infantil, recomenda-se priorizar proteção solar, limpeza suave, cuidados pessoais e hidratação básica, em vez de maquiagem ou skincare pesado.
- Treinar equipe de vendas para saber comunicar essas diferenças, “isso é para brincadeira”, “isso é para adolescentes/adultos”, “isso tem ingredientes que talvez não sejam indicados para tão cedo”,… não é só vender por vender!!!
- Considerar curadoria de linhas “infantis seguras”, com embalagens apropriadas, fórmulas simples, sem ácidos ou ativos agressivos,… e esse já será o nosso assunto de amanhã!!!

Skincare no PDV
Para quem opera no segmento de moda infantil, esse fenômeno implica em adaptações estratégicas:
- Mix de Produtos: além das roupas e acessórios, pode valer a pena incluir uma espaço de beleza infantil/meninas e meninos com produtos simples de cuidado da pele ou maquiagem de brincadeira. Mas fazer isso com critério e se esta ação “conversa”com o seu público!!!
- Treinamento da equipe: vendedores devem entender que o cliente (pai/mãe) pode estar inseguro sobre o que é “seguro para criança”. A equipe pode auxiliar com orientação e não apenas empurrando o produto.
- Comunicação com o cliente: no PDV ou online, destacar “feito para crianças, fórmula suave”, “sem ácidos”, “sem fragrância forte”, ou então “maquiagem para brincadeira”, “lavável”. Isso ajuda gerar confiança e
- Mercado de oportunidades: sabendo que a Geração Alpha está mais envolvida com beleza desde cedo, há demanda, seja para skin care light ou maquiagem divertida. Dados de compra mostram que muitos pais já compraram produtos de beleza para crianças. Por isso este assunto é importante e relevante, pois o lojista precisa suprir as demandas dos seus clientes independente de concordar ou não… entendeu a complexidade né????
- Cautela ética: o lojista acaba sendo responsável, de alguma maneira, pela indicação e venda dos produtos. Isso significa escolher linhas que tenham transparência e boas formulações,… além de se preparar para possíveis insatisfação das clientes. Tudo envolve posicionamento!!!
- Experiência de compra e merchandising: criar espaços lúdicos para beleza infantil, mas sem promover rotinas adultas para crianças pequenas. Ex: “kit de makeup para brincar”, “mini-skincare básico”, evitar mostrar produtos de tratamento avançado para crianças,… e fazer com que de alguma maneira, este comportamento pode ter um lado mais lúdico.
- Parceria com conteúdo educativo: pode ser interessante disponibilizar para o cliente (pai/mãe) material simples no site ou loja física, que explique “quando usar maquiagem ou skincare infantil?”, “o que observar?”, e isso pode diferenciar sua loja!!!
O problema está apenas na fórmula ou no
incentivo ao cuidado precoce com a aparência?

Lembre-se, cada faixa etária infantil tem especificidades, produtos formulados para adultos nem sempre são seguros ou adequados.
A moda infantil vai além de roupa, o universo de beleza leve (para crianças) está crescendo e pode agregar valor à oferta da loja, desde que seja feito com responsabilidade.

Me conta se você pretende vender produtos de skincare e de maquiagem infantil…


